O verão está no seu auge, isso significa que a atenção com os pequenos deve ser redobrada. Sabemos que nessa época do ano é comum uma maior irritabilidade pelo calor e o consequente aumento na busca por soluções para driblá-la. Sonaira Fonseca, pediatra e coordenadora médica da Central Nacional Unimed, explica quais são os principais cuidados a serem tomados nessa época.

1. As mudanças de rotina comuns no período de férias são prejudiciais às crianças? Devemos mantê-las com os mesmos hábitos? Como evitar a perda dos períodos de sono?

SF: É natural que com a chegada das férias ocorra flexibilidade de rotina, com maior liberdade de horários, sem a exigência de hora exata para atividades como acordar/dormir, fazer as refeições, momentos de higiene etc.

Porém, tratando-se especificamente do sono, como este envolve a produção do hormônio do crescimento e da melatonina, mudanças repentinas desregulam esta produção hormonal, provocando sono de má qualidade e causando cansaço durante o dia. É possível ter flexibilidade em relação à rotina das crianças durante as férias, mas é indicado que nos últimos dias os horários de dormir e acordar sejam mais próximos aos habituais durante o período letivo.

2. Como tratar a brotoeja que afeta as crianças nessa época do ano?

SF: No verão é comum o aparecimento das brotoejas, que nada mais são que uma reação local ao excesso de calor e suor, em que os poros de saída das glândulas de suor ficam obstruídos. Com isso, temos o aparecimento de pequenas manchas e bolinhas vermelhas na pele que podem causar coceira e ardor. 

Não há tratamento específico para brotoeja, mas para alívio dos sintomas como coceira e irritação é importante adotar alguns cuidados, tais como evitar a exposição solar; dar banho com água fresca e sabonete neutro, sem fragrâncias ou corantes; deixar a pele secar naturalmente, sem o uso de toalha; e aplicar compressas frias no corpo.

3. O calor pode causar falta de apetite? Qual é a melhor forma de lidar com essa situação?

SF: É comum que o apetite das crianças fique prejudicado no calor. Geralmente, é um quadro transitório e não há motivos para preocupação.

O mais importante é manter a hidratação, oferecendo líquidos como água e sucos de forma abundante e, para as refeições, optar por alimentos mais leves e naturais. 

4. O ar-condicionado pode ser prejudicial para crianças pequenas?

SF: Quando utilizado requer alguns cuidados, mas pode ser um grande aliado neste período de altas temperaturas. O principal problema dele é ressecar muito o ar, mas isso pode ser contornado com o uso de umidificadores de ambiente. É importante o controle de temperatura para que nunca fique abaixo dos 23º C graus. Além disso, a limpeza do filtro do aparelho e a revisão técnica uma vez ao ano contribui bastante para o uso benéfico e seguro do ar-condicionado. 

5. Como evitar picadas de insetos em crianças, além do uso de repelente?  

SF: As picadas de inseto são um incômodo frequente às crianças neste período do ano. Algumas medidas podem minimizar o problema como: uso de proteção com frestas de no máximo 1,5 milímetros nas janelas da casa; uso de mosquiteiros; manter o ambiente sempre limpo e livre de possíveis criadouros de mosquitos; evitar produtos de higiene com perfume, pois podem atrair insetos; manter as crianças vestidas com roupas de tecidos naturais, leves e de cor clara, que não esquentem demais no calor e permitem a respiração da pele; cobrindo a maior parte do corpo.

6. Caso a criança tenha diarreia após a ingestão de algum alimento na praia deve ser levada ao pronto-socorro?

SF: Os quadros de intoxicação alimentar pós ingestão de algum alimento na praia podem ser potencialmente graves, visto que a diarreia (e vômitos associados, se houver), podem levar rapidamente à desidratação. Desta forma, é importante avaliar a frequência de diarreia/vômito, assim como a aceitação de líquidos e levar a criança para avaliação médica no pronto atendimento.

7. Quais são os principais sintomas de desidratação?

SF: Nas crianças pequenas são: boca seca, saliva grossa, sede, diminuição da produção de urina (ou mesmo urina concentrada, com coloração amarelo escura), sonolência ou ficarem menos ativas do que o habitual, pouca ou nenhuma lágrima ao chorar. 

8. As blusas de manga comprida comumente usadas na praia e na piscina realmente protegem do sol?

SF: A barreira física das blusas de manga comprida já contribui para a proteção do sol e, caso tenham proteção UV, há ainda mais benefício à sua utilização.

9. Crianças com menos de 1 ano podem entrar na piscina e no mar?

SF: Podem sim, desde que com supervisão atenta e com alguns cuidados:

– Não alimente o bebê até uma hora antes do início da atividade na piscina;

– A temperatura ideal da água é entre 29º e 30º, assim, avalie para decidir sobre a exposição. 

– Comece a expor a criança em atividades de dez minutos e vá aumentando até meia hora. Até 1 ano de idade, o ideal é não passar de meia hora na piscina.

– Não leve a criança à piscina se ela estiver resfriada ou doente.

– Consulte seu pediatra caso o bebê tenha algum problema de saúde.