571990-O-autismo-é-uma-doença-cercada-de-mito-e-verdades.

AUTISMO

Nós professores, não devemos levar em conta somente diagnósticos e teorias, elas são importantes, porém, existem fatores essenciais para o início de um trabalho pedagógico com autismo, como por exemplo, o conhecimento adquirido no ambiente familiar e escolar até o presente momento, a frequência escolar, acompanhamento de equipe multidisciplinar, e o preparo do professor que irá acompanhá-lo principalmente.

Foi exatamente o que fiz, me preparei mais para mim mesma, era mais um desafio. O amor e a coragem me conduziram para uma escola da prefeitura através de um projeto em parceria com o CEFAI (Centro de Formação e Apoio a Inclusão) no ano de 2011.

Fui apresentada ao aluno W.S.P. de 14 anos, no 7º ano do Ensino Fundamental.  Antes de iniciar meu trabalho, todo o relatório da criança me foi passado pela Profª Rosana. Mas, posso dizer? A demonstração de carinho quando fui cumprimenta-lo foi algo muito bom para um começo de trabalho, ele sorriu tímido e fez gestos com a mão demonstrando alegria.

W.S.P. estava com um celular e um fone de ouvido, ouvindo musica, balançando o corpo e tentando balbuciar a letra, isso era uma das coisas que ele adorava, e o tranquilizava e, sempre que eu me encontrava em situações difíceis, quando ele se jogava no chão se recusando levantar eu mostrava o celular com a música e ele se levantava.

No Início, em Fevereiro, a mãe ficou comigo na sala regular, acompanhando algumas aulas, ele gostava de folhar o livro de Geografia, ver fotos de pessoas, paisagens, objetos, falava e tentava escrever os nomes dele, o da mãe e do irmão mais velho, que também é autista. A mãe foi muito importante no aprendizado do W., ela me orientou sobre as coisas que ele mais gostava, como assistir vídeo e algumas pronúncias de objetos.

 As aulas que ele mais gostava eram as de artes, porque a professora deixa ele a vontade, ele tinha permissão para ouvir música e brincar com alguns materiais pedagógicos. Nas aulas de informática utilizávamos aplicativos para aprender o alfabeto e nomes de objetos. A dificuldade maior era nos finais das aulas convencê-lo a deixar a sala, pois ele se fixava no que gostava e não e não queria sair. Nesta hora era preciso estratégia para controlar a situação, eu procurava distraí-lo com outras coisas.

De Março em diante a mãe do W. não ficou mais na sala conosco. Percebi, que W. gostava também de balanço, passávamos alguns momentos no parque, sempre aproveitando as coisas que ele gostava para introduzir ensinamentos pedagógicos . O mais difícil era tirá-lo de um lugar para outro, a mudança de sala, sobe e desce de escada e o barulho, irritava-o muito.

Mesmo assim, procurei fazer o melhor, com muito amor e carinho, sempre me informando trazendo plano de aula, alternativas, procurando trabalhar com música, vídeo, rascunhos, informática e ginástica para coordenação motora.

Sempre utilizávamos alguns materiais pedagógicos que ele gostava: encaixe de madeira, empilhar objetos, bichionário, boliche, quebra-cabeça.

Em Setembro, precisei mudar de horário de trabalho, passei para o turno da manhã, para acompanhar outra aluna, que precisava muito de uma professora que à acompanhasse, e a escola estava sem no momento, eu era a única indicada.

No período que estive com W., percebi uma melhora na fala, na pronuncia do meu nome, do nome dele, da mãe, do irmão, conheceu melhor o alfabeto, os números,  as cores, a escrita (rascunho, família, objetos, bicho etc.), mas ainda havia um caminho longo à percorrer.

Não consegui terminar o ano com o W.S.P., porém acredito ter feito um bom trabalho dentro do que foi possível e colaborado para o desenvolvimento dele, mas fiquei triste por outro lado, por ter que deixa-lo e saber que a escola não estava preparada para recebê-lo sem um acompanhante e, além de não possuir materiais e adaptações necessárias. Ficou a esperança de que outros que vieram depois para o meu lugar, também tenham feito o mesmo, ou melhor.

Para minimizar essa dificuldade de convívio social, vale criar situações de interação. Respeite o limite da criança autista, seja claro nos enunciados, amplie o tempo para que ele realize as atividades propostas e sempre comunique mudanças na rotina antecipadamente. A paciência para lidar com essas crianças é fundamental, já que pelo menos 50% dos autistas apresentam graus variáveis de deficiência intelectual. Alguns, ao contrário, apresentam alto desempenho e desenvolvem habilidades específicas – como ter muita facilidade para memorizar números ou deter um conhecimento muito específico sobre informática, por exemplo. Descobrir e explorar as eficiências do autista é um bom caminho para o desenvolvimento.

Agradeço a todos que leram e deixaram suas mensagens, sobre a matéria passada. Continue conosco pois semana que vem vou relatar uma carta de um autista, que eu recebi num dos cursos da CEFAI.

 silvia3