Zika vírus e dengue: prevenção e cuidados durante a gestação

Infectologista da Pro Matre Paulista dá dicas e explica que é preciso redobrar a atenção no verão, em que a incidência do mosquito é maior

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) não há mais dúvidas de que o Zika vírus tem relação direta com a microcefalia, a Síndrome de Guillain-Barré e outras desordens neurológicas. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, entre 8 de novembro de 2015 e 2 de dezembro de 2017, os estados brasileiros reportaram 3.037 casos de bebês com alterações no crescimento e desenvolvimento de devido à infecção pelo vírus da Zika, incluindo a microcefalia, condição em o perímetro da cabeça da criança é muito menor do que seria esperado para idade e sexo. É muito importante que as gestantes se protejam contra a picada do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue e chikungunya.

De acordo com Dr. Lívio Dias, infectologista da Maternidade Pro Matre Paulista, as gestantes devem redobrar a atenção em relação ao mosquito e ter acompanhamento médico durante todo o período. “A recomendação é usar roupas compridas, calças, blusas e, se deixar áreas do corpo expostas, aplicar repelente com mais frequência”, explica o médico.

O Zika vírus pode afetar células cerebrais do feto, podendo causar diversas alterações incluindo a microcefalia. Como o vírus tem uma tendência a atacar células nervosas, uma vez que ele atinge o cérebro ainda em formação, há o risco das células não se desenvolverem adequadamente, com chance de produzir graves sequelas.

O infectologista ressalta que é importante ficar atenta aos sintomas da doença durante a gestação, como febre baixa, coceira, dor de cabeça, dores nas articulações, vermelhidão na pele e conjuntivite, que costumam durar de 2 a 7 dias. Na presença desses sintomas, as gestantes devem procurar serviço médico.  Os testes para Zika estão mais disponíveis e, a critério médico, podem ser solicitados durante o pré-natal.

Para se prevenir, as gestantes devem usar repelentes apropriados, procurar não ficar em áreas com incidência maior de mosquitos, utilizar telas protetoras em janelas e portas, usar roupas compridas e claras, não deixar reservatórios com água parada em casa e no peri-domicílio. “A Zika também pode ser transmitida por relações sexuais com uma pessoa infectada e o uso do preservativo está recomendado na gestação em caso de suspeita da doença” concluiu o Dr. Lívio.

Sobre os repelentes, segundo o Ministério da Saúde, as três substâncias capazes de afastar o mosquito Aedes aegypti são icaridina, IR3535 (etil butilacetilaminopropionato) e DEET (dietiltoluamida). Repelentes que contêm DEET (dietiltoluamida), com concentração entre 10% e 50%, podem ser utilizados por grávidas. Aqueles que contêm icaridina também estão liberados para gestantes e para bebês acima de 2 anos, com a vantagem de uma duração maior do efeito e necessidade menor de repetição da aplicação. Repelentes naturais, como a citronela e a andiroba, não devem substituir o uso de substâncias com eficácia comprovada.