O post de hoje é um repost de uma matéria que saiu na revista Crescer, feita pela jornalista Andressa Basilio, na qual ela fala sobre o projeto criado pela Adriana Mac Dowell, onde ela ensina crianças de todas as idades a estreitarem relações com a comida e a cozinha. Eu me apaixonei pelo projeto, espero que vocês também gostem.

Uma cozinha cheia de possibilidades

Sonhando com um mundo em que as pessoas se alimentem de forma mais saudável, a chef Adriana Mac Dowell se especializou em gastronomia e, inspirada por seu filho, inventou um jeito de ensinar crianças de todas as idades a estreitarem a relação com a comida

Um pequeno grupo de crianças de 2 a 4 anos senta-se no chão e escuta atentamente enquanto Salada, o fantoche em forma de coelho, explica mais sobre tubérculos. “São alimentos que moram embaixo da terra”, diz ele. “Quando está frio, eles são fáceis de guardar em casa e, depois, a gente pode fazer uma sopa.” O bate-papo é seguido da degustação de pedacinhos de cenoura, beterraba e rabanete. A próxima etapa é, afinal, a mais esperada: todos recebem um avental e um chapéu de cozinheiro e colocam em prática o que aprenderam sobre os tubérculos. O resultado é uma bela salada colorida.

Quem dá vida ao fantoche é Adriana Mac Dowell, 40 anos, idealizadora do projeto A Caçarola, um núcleo móvel de culinária infantil, em São Paulo. Junto com a amiga e pedagoga Marisa Naciff, Adriana leva seus conhecimentos de gastronomia para escolas, festas e eventos e, há um ano, vem ensinando crianças a se alimentarem melhor. A ideia veio depois que o filho Pedro nasceu, em 2009. “Eu sempre o ensinei a fazer suas próprias escolhas saudáveis, sem pressão. Aí vi que poderia passar essa filosofia para frente e ajudar não só o Pedro, mas também outras crianças a se tornarem adultos mais saudáveis e felizes.”

O jeito que encontrou de concretizar a ideia foi trazer a brincadeira para a cozinha. “O Pedro adora super-heróis. Assiste aos desenhos, compra os bonequinhos e eles passam a fazer parte da vida dele. Pensando sobre isso, percebemos que precisávamos fazer a comida virar parte da vida da criança.” Por isso, as oficinas de A Caçarola englobam contação de histórias, degustação e prática de cozinha e guiam os pequenos não só pelo mundo dos alimentos, como também trazem um pouco de cultura de outros países, geografia, história e até matemática. “A gente faz, por exemplo, o dia da comida mexicana. Abrimos o mapa, explicamos onde fica o México, degustamos temperos e vamos para a cozinha preparar guacamole, taco.” O curioso é que, há poucos anos, Adriana sequer pensava em trabalhar dentro de uma cozinha.

Adriana Chef

Três passos para o recomeço

Formada em Publicidade e Propaganda em 1996, ela passou o início da carreira em Nova York, nos Estados Unidos. Tudo ia bem até o dia 11 de setembro de 2001, quando dois aviões se chocaram contra as torres do World Trade Center. O medo a fez querer voltar imediatamente para o Brasil. Era o primeiro passo para a mudança.

O segundo foi em 2007. Na época, era gerente de marketing de uma grande companhia e não se sentia realizada. Pediu demissão e aproveitou o MBA do marido na Europa para se matricular no tradicional curso de culinária francesa Le Cordon Bleu. Vendeu carro, apartamento, empacotou as coisas e, um mês antes de se mudar para Paris, a surpresa: “Fiquei grávida! Não dava tempo de desistir, mesmo com a insistência da minha mãe para eu ficar. Mas só depois de ter filho eu consegui entender toda a preocupação dela. Afinal, muita coisa pode dar errado para uma gestante no exterior.” Felizmente para Adriana tudo correu bem. Ela foi a primeira grávida do Le Cordon Bleu e, ao final dos seis meses de curso, na época com um barrigão, recebeu o certificado e uma homenagem por ter concluído com louvor. Pedro nasceu pouco depois, na Itália, e deu início ao terceiro passo: a volta para o Brasil e a criação de A Caçarola, em 2012.

 

Sem pressão, sem preconceitos

Em um ano de existência, A Caçarola prepara oficinas para grupos de até 400 crianças de 2 a 14 anos. Entre elas, claro, está o Pedro. Aos 3 anos, ele adora cozinhar. “Ele vai para a cozinha e à feira comigo. Sabe o nome de tudo e diz que, quando crescer, quer ser chef.” Adriana acredita que é o incentivo dela que faz Pedro experimentar qualquer coisa que estiver no prato. “Muitas mães me dizem que o filho não gosta de comer, mas o que acontece é que a criança recebe tudo cortadinho e cozido. Ela não sabe o que está ali, fica difícil gostar.” Por isso, a empresária já pensa em ampliar os ensinamentos de A Caçarola também para os pais com palestras que ensinam desde o bê-a-bá das papinhas até como levar os filhos para a cozinha.

Pedro é a prova de que a relação entre criança e boa alimentação pode ser feita de forma natural. “Mesmo quando ele não gosta de uma coisa, como é o caso da alface, costuma dizer: ‘Não gosto agora. Quando crescer, vou gostar’.” E esse processo foi construído desde cedo. “Eu não forço nem cobro nada. Às vezes, come apenas metade do prato e diz que está satisfeito. E respeito, ele sabe o que é melhor.” É essa filosofia que a chef passa para frente e é por meio dessa relação mais natural com a alimentação que acredita que pode melhorar a vida dos adultos do futuro.

 Adriana Chef 1

Papinha preferida

Quando Pedro era bebê, Adriana fazia as papinhas dele e a de manga com pêssego era a preferida. Para prepará-la, pique um pêssego e uma manga e coloque em uma panela, cobrindo-os com água fervente. Cozinhe em fogo baixo por 5 minutos. Depois, amasse as frutas com o líquido do cozimento e, se precisar diluir, coloque até três colheres (sopa) de leite materno. Rende de quatro a seis porções e pode ser congelada por três meses.

 

Site de Origem: Revista Crescer

Site do Caçarola: Minha Caçarola