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SALTOS ALTOS

SALTOS ALTOS

Conheci de verdade o irresistível charme dos saltos altos quando tinha aproximadamente 22 anos de idade. Antes disso, costumava passar pelas vitrines de sapatos e, embora achasse lindos os saltos, sempre me rendia aos baixos. Acreditava que não combinavam comigo, sem contar que, naquela época, ainda não tinha carro e utilizava transporte público para trabalhar e, definitivamente, saltos altos não combinavam com ônibus lotado e muito menos com as ruas esburacadas de São Paulo. Porém, sempre soube dos poderes dos saltos altos. O que eles fazem por uma mulher é fantástico. Ainda mais no meu caso que sou baixinha (1,60m), dez centímetros a mais, não é nada mal.

Saltos Altos

Quando comecei a trabalhar em uma grande empresa, na qual as mulheres eram todas turbinadas nos saltos altos, e após a compra do meu primeiro carro, me rendi. Como uma viciada, comecei com pequenas doses e em pouco tempo já estava totalmente dependente dos saltos altos. No início, eram os saltos médios, que com certeza não passaria vergonha por não saber andar com eles corretamente, aos poucos fui abusando e logo aderi aos megas saltos. Sapatilhas e tênis passaram a ser apenas um par de cada, somente para casos de extrema necessidade, e os saltos eram de todos os tipos, até mesmo meus chinelos passaram a ser de salto alto.

Até lá pelo sétimo mês de gestação, ainda eram os saltos que me moviam, inclusive, em certa ocasião, fui chamada de louca por uma pessoa que me viu de salto alto e com o barrigão.

Quando entrei no oitavo mês de gestação ocorreu que meus pés começaram a inchar, e fui obrigada a aderir às sapatilhas, chinelos, tênis e ficar longe dos saltos altos. E não é que gostei… Estava vivendo outra fase da minha vida e as sapatilhas me caíram como luvas.

Nada como a maternidade para ajudar a gente rever alguns conceitos. Além de alterar, de leve ou totalmente, o rumo da carreira, estabelecer novas prioridades e ser o novo personagem das nossas orações, um bebê é capaz de transformar profundamente a vida de uma mulher.

Nestes primeiros meses com a Larah, optei pela funcionalidade: toda peça que complica a amamentação, não será usada tão cedo. Definitivamente dei férias para os sutiãs meia-taça e com bojo e, podem acreditar, tenho usado, muitas vezes, em substituição aos sutiãs, tops (aqueles de ginástica mesmo), achei perfeito para amamentar, é firme, mantém o protetor de seio no local correto, etc.

Até comprei alguns sutiãs de amamentação, mas, posso falar? Odiei, são grandes de mais e não dão sustentação. Nesta minha fase de mudanças, aderi o uso de calças de cotton, tudo em busca de mais conforto para mamãe e para o bebê.

Sei que ainda virá à fase que a Larah vai crescer um pouquinho e passarei boa parte do tempo curvada para frente na missão de guiá-la nos primeiros passos, e roupas e sapatos confortáveis serão inevitáveis.

Neste processo de adaptação, por que os sapatos ficariam de fora? Muitas coisas como mãe, ainda me esperam. Em cima de um salto, atividades simples tornam-se complexas. Tomar a Larah nos braços na hora da birra ou depois de um tombo. Trazer o cadeirão que estava do outro lado da praça de alimentação. Tirá-la dormindo do carro, quando ela adquirir quilos extras, e carregá-la até a cama. Brincar de pega-pega, etc. Definitivamente de saltos altos, não vai rolar. Nestas horas, sei que qualquer elegância irá para o espaço.

Minha sapateira foi minha cúmplice, viu lentamente, o retorno das sapatilhas e tênis. No entanto, meus saltos, que são os meus “xodós” estão lá, guardadinhos, na esperança de ser apenas um até breve e não um adeus.