O post de hoje é para contar o relato emocionante do parto pré maturo e com complicações da leitora Yslaira Maria. Espero que gostem e se emocionem como eu me emocionei.

Relato de Parto Pré Maturo

Tenho 19 anos e descobrir que estava grávida no começo da vida, da Universidade e sem muita estrutura, foi uma mistura de susto e felicidade.

Minha família me deu todo o apoio que precisei. E como toda mamãe de primeira viagem eu estava repleta de inseguranças e medos.

Minha vida havia mudado totalmente, eu e o pai da bebê não estávamos no melhor momento como casal… Enfim, uma loucura.

Nunca culpei minha anjinha por nada, sempre soube que ela seria bênção na minha vida.

Apesar de tudo  a gravidez corria bem, perto do sétimo mês fui para a minha cidade natal visitar a família, passei cerca de um mês lá e voltei no começo do mês de Setembro. No dia anterior a viagem de retorno, tive um leve inchaço nas pernas mas, considerei normal por estar se aproximando do último trimestre de gestação.

No dia seguinte, dia da viagem, o inchaço estava um pouco maior mas viajei mesmo assim. Cheguei numa terça feira e fui a aula durante o resto da semana.

No final de semana foi horrível, estava mais inchada e sentia um mal estar enorme.

Na segunda feira tinha consulta do pré Natal e ao chegar no posto de saúde meu peso tinha aumentado de 56 kg para 62kg em poucos dias devido ao inchaço, minha pressão estava alterada, meu rosto bem inchado e a garganta inflamada, sem contar a falta de ar.

Tudo isso de uma hora para outra, tendo em vista que não tinha sentido sequer uma dor durante toda a gestação. A enfermeira me encaminhou diretamente ao médico que me passou um exame de proteinuria.

Como estava exausta decidi fazer o exame no dia seguinte. Cheguei em casa, dormi e a noite me sentia melhor.

Minhas amigas chegaram da Universidade e estávamos em roda conversando quando senti um desconforto na calcinha e fui ao banheiro ver o que era. Tomei um susto ao ver que minha vagina  tinha inchado de uma hora para outra e enquanto chamava uma amiga para me ajudar ela continuava inchando, foi ai que decidimos ir ao hospital.

No hospital, o líquido foi drenado, fui medicada com antibióticos e tive alta no dia seguinte. Em casa continuei me sentindo mal e o inchaço na vagina voltou o que me levou a ir novamente ao hospital onde fiquei internada por 9 dias sendo tratada erroneamente por antibióticos pois acreditavam que eu tinha algum tipo de infecção e não era nada disso.

Durante os 9 dias sentia um líquido saindo aparentemente da vagina, mas todos diziam que era líquido provindo do inchaço. Sem melhoras e com o corpo todo bem inchado, no nono dia um médico decidiu pela minha transferência para capital, tendo em vista que não tinha um diagnóstico para meu caso pois não havia melhoras com os antibióticos que prescreviam.

Fiz a pior viagem da minha vida, fui de ambulância até a maternidade Evangelina Rosa, em Teresina/PI.

Chegando lá fui diagnosticada com e Edema Vulvar, uma intercorrência de gravidez. No entanto, minha mãe que me acompanhava, achou estranha a quantidade de líquido que eu perdia e que não era do inchaço e sim amniótico e desconfiava que eu entrava em trabalho de parto.

Fui transferida para um setor de risco e, na madrugada do dia seguinte, comecei a perder o tampão mucoso e as 5h00 da manhã passei a ter contrações.

Novamente minha mãe contatou a enfermagem que entrou em contato com uma equipe de médicas, e a partir daí que foram feitos vários exames.

Com o resultado do doppler e ultrassom alterados, foi constado que eu havia perdido todo o líquido amniótico e estava com 7 cm de dilatação. Meu bebê já estava em sofrimento. Fui encaminhada com urgência para sala de cirurgia.

Os médicos tiveram dificuldade de tirar Isis pois ela já estava preparada para sair por baixo.

Não ouvir o chorinho dela, não ver seu rostinho foram as piores torturas. O que acalmou meu coração foi o seu ato, naquela mesa onde ela estava rodeada de médicos, de levantar uma das mãozinhas, como quem diz, “sim, eu estou aqui!”.

Isis nasceu com 31 semanas de gestação, às 16:45, com 37 cm e 935 gramas.

Fomos ás duas encaminhadas para UTI, eu para a materna e Isis para neonatal, o que foi outro sofrimento porque não pude vê-la e, apesar de ter notícias dela, só acreditei que ela estava bem, 3 dias depois quando tive alta da UTI e fui visita-la.

Tão pequena, tão frágil,tão minha! Não pude tirar leite para ela pois ainda estava em tratamento com medicamentos e continuava internada, os médicos não sabiam o que eu tinha, mesmo após o parto, meu quadro não regredia e sim progredia.

Foram dias difíceis, cheguei a pesar 70 kg devido a grande quantidade de líquido acumulada em meu corpo. Passei por vários exames e nada de descobrirem. Nesse meio tempo ia ver a anjinha na maioria dos dias, fazia canguru e podia sentir aquele corpinho colado no meu como se fôssemos uma só e isso me acalentava e dava esperança.

Quando finalmente tiveram meu diagnóstico(síndrome nefrótica) fui tratada corretamente e tive alta.

Isis continuava na UTI pelo baixo peso e no meio de tudo ainda apareceu uma infecção bacteriana o que quase me matou do coração. Isis passou a ser tratada com antibióticos.

Mesmo com minha alta, continuei na maternidade, num espaço para mães com bebês na UTI neonatal.

Dois dias depois da minha alta, foi a vez de Isis ter a sua alta da UTI.

Fomos encaminhadas para o projeto canguru, um projeto para bebês de baixo peso, onde costumo dizer que foi um verdadeiro intensivão de como ser mãe de um bebê tão frágil. Lá pude cuidar dela pela primeira vez. Infelizmente nos primeiros dias não tive leite mas logo que Isis começou a sugar, o leite desceu. Graças a Deus tenho muito leite.

Aproximadamente 3 semanas depois, Isis teve alta e hoje estamos em casa, felizes e na certeza de que o cara lá de cima não abandona ninguém.

Sou muito grata a cada pessoa que fez parte da nossa história. Isis ainda precisa de acompanhamento e continuamos a luta.

Sou feliz e realizada por ver minha bebê bem e com saúde, sabendo que ela é um ser tão pequeno, mas tão forte e abençoado que me deu força para continuar a cada dia.

Agora ela está com 2300 gramas e 44 cm. Eu continuo em acompanhamento com o nefrologista e com uma dieta especial.

Parto Pré Maturo

Parto Pré Maturo

Amo minha bebê e quero cumprir essa missão de ser a melhor mãe, dando tudo que minha pequena merece porque ela merece e tudo de melhor que a vida que ela tanto lutou para ter, possa lhe proporcionar.

Ser mãe é uma verdadeira bênção. Não consigo descrever esse amor.

Beijos a todos. Orem por nós!

Yslaira Maria