adriana 026

Solidão

Eu nunca fui muito fã da solidão, claro, todos nós temos momentos de querer uma casa só para nós por algumas horas, mas, desde minha infância, sinto a necessidade de estar rodeada de pessoas e, acredito sinceramente que por conta desta necessidade, alguns traços de minha personalidade são bem evidentes atualmente (assunto para um próximo post). Além disso, quem me conhece sabe o quanto sou agitada e faço mil atividades ao mesmo tempo.

Dos primeiros dias até um mês da Larah, não senti tanto a solidão de ser mãe porque neste período meu marido estava em fase de transição no trabalho e, Graças a Deus, esteve comigo o tempo todo. No entanto, com o retorno dele ao trabalho, as coisas complicaram um pouco, o trabalho dele requer que ele viaje, este mês, por exemplo, ele ficou três semanas ausente.

Neste momento da minha vida, estou sentindo como é difícil ficar sozinha. É um sentimento para o qual eu não estou preparada e, acredito que tem sido mais difícil lidar com a solidão do que com a dor das primeiras semanas de amamentação, ou as noites mal dormidas do começo.

Não é o fato de estar sozinha em casa sem companhia, cuidando de um bebê que ainda não fala, até mesmo porque, no condomínio onde moro, tem a família do meu irmão que sempre estão por perto. O que pesa mesmo é a solidão da responsabilidade de decidir sobre todas as coisas de minha filha por mim mesma. É a solidão de não saber se o choro é de fome ou de dor, é a solidão de não saber como fazer com que ela pare de chorar, é a solidão de não ter com quem dividir os diversos devaneios que me assustam. É a solidão de se sentir feia e não ter como ir se arrumar, afinal como irei a um salão de beleza sozinha com o bebê, é a solidão de ver suas colegas se divertindo e você, muito provavelmente estaria junto se não fosse a maternidade.

Todos nós sabemos que com bebês, não dá para sair pra qualquer lugar, a qualquer hora, a vida é outra, as prioridades mudam.

Tudo isso parece bobeira, mas para quem é mãe de primeira viagem a insegurança bate, o coração aberta e algumas vezes as lágrimas descem.

Talvez alguém questione por que eu não converso com outras pessoas, com o marido, etc. Às vezes eu até falo algo sobre o assunto, mas, em alguns momentos, compartilhar destes sentimentos não é fácil. É como se eu estivesse admitindo a minha fraqueza e a minha falta de controle, sem contar que sempre existirão pessoas para te julgar.

Isso tudo não tem nada a ver com o amor infinito que tenho pela minha Larah, amor este que cresce a cada dia e que me enche e me completa. Isso nada tem a ver com arrependimentos, com infantilidades, etc. Isso tem a ver comigo, com o meu EU interior.

Observo minha pequena e vejo a minha bebê frágil, sorrindo, que depende de mim para tudo, que depende das minhas decisões para continuar saudável, e confesso que (meu marido já presenciou algumas vezes), já chorei muito me sentindo insegura e com medo de não saber cuidar da Larah corretamente. Mas, tiro forças do fundo da minha alma, de onde eu nem sabia que existia forças e sigo em frente, amando cada dia mais.

A maternidade faz isso com as pessoas: Descobrem que são mais fortes do que imaginavam.

O que tem me distraído e tem me feito sentir menos sozinha é escrever no blog e interagir nas redes sociais.

Agora, nada substitui o apoio vivo e a cores dos familiares e amigos e principalmente o abraço do meu marido que me acalma quando bate a fraqueza. Mas para eu receber esta ajuda, foi preciso admitir que não sou perfeita e deixei o orgulho de lado.

Como diz a frase que tanto gosto: “Tudo Passa, Até a Uva Passa”. Bola pra frente.