Maternidade e o Meu Eu

menino triste

O bebê nasceu e a mãe dava conta de estar ali empenhada em sustentar a sede de vida do pequeno ser. Enfrentou com garra e afinco todos os primeiros momentos, as primeiras dificuldades da maternidade, superando cada obstáculo.

Maternidade e o Meu Eu

Percebendo alguns sinais de independência de seu pequeno, ela exausta, viu a oportunidade de se libertar da rotina. Afinal, um bebê, mesmo que já com alguns sinais de independência, demanda esforço demais e responsabilidades demais, brincadeiras demais e aos poucos ela foi se entregando a sua nova atividade profissional e deixando estas coisas de criança para depois.

A criança mesmo sem entender a “ausência” da sua amada mãezinha, foi aceitando a distancia, ele não entendia como poderia sua mãezinha estar ali na sua frente, mas estava ausente para as necessidades dele. Ele se apavorava em vê-la focada no computador ou nos livros. E ela, por sua vez, se afastava mais ainda, pois o olhar suplicante da criança a estressava e ela não tinha tempo, ela precisava descansar, precisava comer, precisava trabalhar.

Ela foi promovida no trabalho, e ele foi cuidado por outros, ela precisou estudar novamente e ele começou a frequentar a escolinha. A distancia tornou-se tão grande que as decisões e educação da criança foram terceirizadas e ela se sentiu aliviada por ter algo a menos para se preocupar.

O garoto ficou muito confuso com tantas pessoas querendo orienta-lo: a professora ensinava de um jeito, a avó de outro, a babá de outro, afinal qual é a correta? Ele não sabia qual era o limite.

Por outro lado, ele tornou-se um colecionador de coisas, pois, sua mãezinha, para tapar o buraco da ausência, cada dia era um brinquedo novo ou um doce gostoso.

O garoto foi crescendo carente e triste, no entanto, tinha um sorriso encantador. Passou a ser exigente e agressivo quando necessitava de algo. Entendia que quem vence é quem grita mais alto.

Graças ao acaso, neste caso aqui, a criança não se tornou um homem do mau, pelo contrario, seguiu uma vida considerada normal: estudou, trabalhou, casou, teve filhos e constituiu família. Mas, também se tornou oco, vazio, rude, triste e com uma ferida na alma do tamanho do mundo e, o resultado disso foi ser com seus filhos um espelho daquilo que sua mãe foi com ele. E assim a vida seguiu, em um ciclo vicioso.

Não julgo esta mãe, será que ela também não é fruto de tratamentos igual a este que ela foi capaz de dar?

Antes de ser mãe, tem pessoas que construiu toda sua vida baseada em sucesso profissional ou em diversão com amigos e acreditam que conseguiram conciliar todas as coisas, no entanto nem sempre isso é possível ser feito exatamente como era antes. Após a maternidade, a situação é irreversível, passamos por essa experiência que é um divisor de águas: ficou grávida, pariu, virou mãe. E a única forma de sobreviver é a renovação, é criar um novo eu, incluindo em sua nova vida a sua nova condição.

Não digo que você deve largar sua vida, sua carreira seu eu, digo apenas para não largar seu pequeno a mercê da vida, tome a dianteira da situação, trabalhar não quer dizer abandonar.

Molde-se, adapte-se e deixe um tempinho para se dedicar a aquele que tanto precisa de você, seu bem maior, seu FILHO.

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15 Comentários

  1. Verônica
    19 de setembro de 2014

    Adorei o texto e o seu Blog
    Estarei sempre por aqui…
    Beijos!

    Também tenho um blog se quiser conhece-lo será um prazer!
    http://www.pipocasemaquarela.com

    Responder

  2. Janis Souza
    19 de setembro de 2014

    Nossa, não tive como conter as lágrimas, Adriana! Que post incrível! Sei bem o que você descreveu ai, pois passei por isso. Logo após a minha separação, fui morar com minha mãe e por momento, burrice ou sei lá o que, eu acabei terceirizando os cuidados e educação da Lara e isso durou uns meses, até me dar conta do que estava fazendo para ela e para mim, me culpo diariamente por isso, pois sei que esses meses que perdi, jamais terei de volta, mas hoje busco ser a melhor e mais dedicada mãe que ela pode ter, mesmo com meus horários apertados, estudos e trabalho, ela é sempre a prioridade na minha vida!
    Beijos

    Responder

  3. thais
    19 de setembro de 2014

    Fui às lágrimas.. Realmente ser mãe estressa, ser mãe e profissional, ainda mais. Trabalho desde que o MIguel tinha 4 meses, foi com essa idade que foi para a escolinha. Mas, creio que consigo atendê-lo, pois meu marido e eu nos revezamos bem em estar com ele quando não estamos trabalhando. Amei teu blog, o visitarei sempre, Beijos

    Responder

  4. Roberta Aquino
    19 de setembro de 2014

    Belo texto .. concordo plenamente!
    NOssa vida vira de cabeça pra baixo .. mas quando conseguimos tomas as rédias e tambem a organizar o nosso tempo .. conseguimos dar conta de tudo e também nos divertir .. bjs

    Roberta Aquino
    <a href="http://www.talmaetalfilha.blog.br//&quot; Tal Mãe, Tal Filha Blog

    Responder

  5. Gisele
    19 de setembro de 2014

    Concordo, adapte-se, mas tenha tempo para seus filhos.

    bjs,
    http://www.soumae.org

    Responder

  6. Nanda
    20 de setembro de 2014

    amiga sei exatamente o que é isso
    quando a minha primeira filha nasceu
    eu fazia tudo brincávamos muito pouco
    vim aprendendo e brincando mais
    com ela quando veio a segunda mesmo passando muito tempo no note
    brincamos, passeamos e tento fazer mais quando ela dorme
    ou estar brincando com o papai ou a maninha

    linda noite

    Responder

  7. Marcella Stelle
    20 de setembro de 2014

    Assunto super complicado e delicado … nem sempre querer é poder, não é mesmo?! Eu quero e posso ser mãe e muitas vezes quero e posso ser uma profissional de sucesso, não vejo problema nisso! Como condenar e criticar uma mãe que precisa trabalhar para sustentar a casa e seu filho que ama acima e tudo e por isso precisa deixa-lo aos cuidados de outra pessoa, seja familiar ou uma escola!

    Defendo que toda mãe sabe o que é melhor para ela, seu filho, sua família! Eu nunca tercerizei cuidado e educação da minha filha, eu optei por dar a ela conhecimento, amigos e mais carinho na escola e educação e cuidados em casa … sem culpa ou stress!

    Beijos,
    Te espero no blog Mamãe de Salto

    Responder

  8. Leteia Bispo
    20 de setembro de 2014

    Muito triste essa situação
    E aocontece muito por ai
    Bjus
    http://segredosdaluma.blogspot.com.br/

    Responder

  9. Cibele Lima
    20 de setembro de 2014

    Lindo post! adorei! bjo

    Responder

  10. Shairane Mello
    20 de setembro de 2014

    super te entendo, acontece bastante
    bjcas
    http://estou-crescendo.blogspot.com.br/

    Responder

  11. Juliana
    21 de setembro de 2014

    Querida, que post maravilhosos.
    Estava justamente pensando sobre esse assunto e estou criando um texto sobre esse assunto…
    Muito se ouve falar em ser feliz, mas pouco se ouvem dizer…quero fazer alguém feliz, nesse casso nossos filhos, família….
    As pessoas estão correndo das responsabilidade e querendo ser feliz a todo custo, porém essa felicidade nunca inclui os filhos… É triste, mas uma realidade.
    Eu amei seu post, é um círculo vicioso, com certeza, e tem piorado cada vez mais…
    Que esse texto venha mexer e acordar as pessoas, minha querida, assim espero.
    Bjs
    Ju
    Mãe Sem Fronteiras.

    Responder

  12. Genis Borges
    22 de setembro de 2014

    Muito polêmico esse assunto, pois trabalhar fora não é sinônimo de não cuidar bem do filho. Conheço mães que não trabalham fora e passam o dia todo na internet e quando não estão na interent, estão na academia e por aí vai…
    Tudo em excesso é ruim e tenho muito medo das mães super poderosas, que carregam o rótulo de donas de casas pelo simples fato de não trabalharem fora.
    Eu sou mãe que trabalha fora e divido minha rotina entre trabalho, casa e ainda mais meu papel de esposa e mãe.
    Grande beijo, Genis

    Responder

  13. Silvia
    22 de setembro de 2014

    Gostei muito do texto, poucas mães tem a coragem de falar sobre esta situação, mas quando deparamos com está realidade, principalmente eu que trabalho com filhos que estão nesta condição; temos a consciência, e para amenizar este problema tenho também a responsabilidade de alertar as mães; pedir para ler o blog, enfim não é preciso ser mãe para tentar de alguma forma colaborar para a felicidade da família, a educação e a mídia é um meio essencial para melhoria no desenvolvimento social e familiar.

    Responder

  14. Cristiane
    23 de setembro de 2014

    Que texto forte, precisamos fazer o que vc disse no fim do texto, renovar!
    Nos redescobrir!
    Somos muito responsáveis por quem nos filhos serão e se transformarão.
    Eu não diria que o problema está só nas mães que trabalham fora e querem suas carreiras, mas tb nas que priorizam mais a si mesmas do que aos filhos. Porque vejo muitas mães em casa o tempo todo e ausente do filho.
    Situação complicada… eu sinceramente quando estou em casa com o Joseph não tenho tempo pra nada que não seja ele e dele… trabalho fora, mas quando chego o tempo é dele, abro mão de ir pra rua, de ir a salão pra estar com meu filho e não faço por obrigação, é um prazer, é meu dever de mãe… adorei a reflexão, bjs

    Responder

  15. Daniela Zanatto
    25 de setembro de 2014

    Excelente reflexão… E vamos adiante, buscando sempre o melhor para os nossos filhos!
    beijos

    Daniela Zanatto
    http://www.mamaeaprendiz.com

    Responder

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