Conheça a história de superação da Eliete, mãe de uma das menores bebês prematuras do País

Bebês Prematuras – Entenda como uma unidade semi-intensiva pode salvar vidas e prolongar a gravidez de muitas mães; Eliete só pôde segurar a filha nos braços 45 dias após o nascimento

Após oito anos acreditando que não poderia engravidar novamente por causa de uma endometriose, a funcionária pública Eliete Castro recebeu com felicidade a notícia de que seria mãe de uma menina. Porém, quando estava com 22 semanas de gestação, foi diagnosticada com Disfunção Hipertensiva Específica Gestacional (DHEG), uma das principais causas de morte materna e perinatal, principalmente quando se manifesta em suas formas mais graves como pré-eclâmpsia e Síndrome de HELLP. Ela ficou internada por 15 dias na unidade semi-intensiva do Hospital e Maternidade Santa Joana, em repouso absoluto e sendo monitorada 24 horas por dia. Tudo para salvar a vida da filha, Beatriz. “Foram dias de angústia, expectativa, solidão e incertezas, mas também de fé inabalável. Aprendi a duras penas que não temos controle de absolutamente nada nesta vida. Aprendi a viver um dia de cada vez. Precisava ser forte e pensar apenas na minha filha”, conta Eliete.

Após 15 longos dias, Beatriz Alves veio ao mundo com 25 semanas de gestação, pesando apenas 380 gramas. Sofreu cinco paradas cardiorrespiratórias e um pneumotórax, ou seja, o ar no pulmão da criança teve de ser drenado. Três destas paradas foram em menos de 24 horas. Além disso, a menina ficou internada por 11 meses, chegando a pesar 335 gramas e teve alta faltando apenas uma semana para completar um ano de idade. “Quando Beatriz veio ao mundo com 380 gramas, só me vinha à memória o peso que estava muito além do desejável para sobrevivência de um bebê prematuro, que são 500 gramas”, relata Eliete.

A funcionária pública relata que a fé foi fundamental para atravessar todas as tormentas envolvidas numa gestação e na vida de um prematuro. “Eu não sabia ao certo o que pensar ou o que esperar. Os dias na UTI foram muito intensos. Não dá para descrever em palavras o que senti ao ver minha filha pela primeira vez, e ao tocá-la pela primeira vez. O primeiro colo se deu com 45 dias de vida e assim fomos atravessando cada intercorrência até a tão sonhada primeira alta. Quando isso aconteceu, nem preciso dizer que chorei muito no caminho do hospital até em casa, mas desta vez de alegria”, ressalta. Atualmente, Bia tem sete anos de idade, está matriculada em escola regular desde 2016, com excelentes avanços na parte social e pedagógica.

Em muitos casos, quando a possibilidade de prematuridade é identificada durante a gestação, o médico indica a internação da mãe para repouso e monitoramento dela e do feto na unidade semi-intensiva. Neste local, há casos de mulheres que levam uma rotina dinâmica e agitada e, de uma hora para a outra, precisam mudar totalmente seu estilo de vida ao internarem na unidade. É uma oportunidade de prolongar a gravidez, diminuindo as chances de crianças prematuras e evitando a internação de bebês na UTI Neonatal após o nascimento.

A idade gestacional é quem determina a gravidade do bebê prematuro, por isso, ganhar tempo dentro do útero é essencial para diminuir os riscos da gestação. Na semi-intensiva é considerada uma área de alta vigilância onde as pacientes são monitoradas 24 horas por dia por uma equipe multidisciplinar especializada em gestações de alto risco. “Costumamos dizer que um dia do bebê no útero da mãe equivale a menos três dias na UTI neonatal. A permanência da gestante na unidade semi-intensiva garante mais segurança para a mãe e para o bebê, que terão mais agilidade no atendimento e, como consequência, um melhor resultado neonatal. Neste local, há casos de mulheres que ficam internadas por até três meses”, conta o dr. Mario Macoto, Coordenador Científico do departamento de Obstetrícia do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Entre os critérios maternos mais comuns para a internação na semi-intensiva do Hospital e Maternidade Santa Joana estão as intercorrências obstétricas, como diabetes gestacional, placenta prévia, bolsa rota, pré-eclâmpsia e trabalho de parto prematuro; as intercorrências clínicas, como a trombofilia e o hipotireoidismo; e as intercorrências fetais, como restrição de crescimento e alteração da vitalidade fetal.

O dr. Macoto ressalta que uma boa assistência pré-natal é uma das precauções essenciais na prevenção à prematuridade. “Além de conhecer todo o histórico da mãe, a realização de exames clínicos, laboratoriais e obstétricos são de extrema importância para identificação prévia de possíveis gestações de risco e indicação adequada da melhor conduta terapêutica”, afirma o especialista. “Nossa recomendação é que toda gestante realize uma ultrassonografia transvaginal entre a 20ª e a 24ª semana para saber a medida do colo uterino, pois ela pode sinalizar o risco de parto prematuro”, completa.

“A população no geral não tem ideia das possíveis intercorrências de uma gestação. Mesmo uma gestante saudável está sujeita a ter pré-eclâmpsia ou desenvolver diabetes gestacional, por exemplo. Por isso, o acompanhamento médico durante todo o período gestacional é primordial”, finaliza dr. Macoto.